A ARTE DE VIRAR A PÁGINA

Por Natalia Viotti –

Dentre muitas coisas que entendi na vida, esta com certeza foi uma das mais difíceis de aprender e aplicar no dia-a-dia.

Acho que isso deve acontecer com qualquer pessoa com grande coração. Eu, por exemplo, adoro contar causos engraçados, fazer carinho, mimar os amigos, presentear quem está ao meu lado, enfim… Sobra amor em mim!

O problema é que eu sempre tive uma grande dificuldade em cortar laços, até porque não acredito que laços devam ser cortados, e sim no máximo afrouxados… mas cortados?!?! Jamais!

Sinto saudades das pessoas que amei um dia, sinto falta do olhar cúmplice, do cheiro conhecido. Sempre me pergunto, por que as pessoas insistem em demonstrar tanta indiferença pelo outro? Quem foi que disse que é mais bonito mostrar desapego do que carinho? Parece até que estamos vivendo uma época em que ganha quem demonstra menos afeto. Afff….

Não dá para entender, não é e nunca foi competição…

E o que é a saudade, então? Uma vez li em algum lugar, que não lembro onde, mas dizia mais ou menos assim: “Saudade é o que acontece quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue”. Achei lindo e queria parabenizar o criador, mas não sei quem foi então vou imortalizar essa frase aqui.

Lembranças também incomodam muito, e quando elas chegam não podemos fazer nada, e é praticamente quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Né não?!

E a indecisão? É pessoal, porque nessas horas a gente fica indecisa, não sabe ao certo o que fazer, vai por mim, sempre tem o momento atual e um do passado que ficam ‘competindo’ dentro da gente.

Acho que indecisão é aquilo que acontece quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa… hahahahah (Pelo menos comigo sempre foi assim).

Ah, e é impressionante como ficamos cheias de intuição quando ficamos indecisas!!! A gente ‘visita’ o futuro rapidinho para tentar imaginar como seria com uma ou outra escolha, vê o que seria melhor (INTUIÇÃO). Pena que nem sempre a ouvimos…

Tem gente que tenta fingir o que não sente, mas eu nem tento, talvez devesse me preservar um pouco mais, guardar para mim tudo de bom ou de ruim que eu possa sentir por alguém. Mas aí me pergunto por que eu deveria fazer isso se o sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado?!

Por vezes me dá uns 5 minutos de lucidez, aquele acesso de loucura ao contrário, sabe?! rs… Mas logo passa…

E tudo isso acontece ou deixa de acontecer comigo porque eu tenho um sentimento de amizade enorme pelas pessoas, e amizade, minha gente, é quando você não faz questão de si mesmo e se empresta para os outros.

A gente fica meio paranóico às vezes, pensando que deveríamos parar de nos emprestar, mas não, acho que não. Essa é a minha essência. Eu que aprenda a lidar com ela! (Acho que agora estou aprendendo, rsrs).

E você, como lida com sua essência? Ou melhor, você a conhece?

Natalia Viotti

Advogada, Escritora e Terapeuta Integrativa. Estudou teatro, atuou como Assistente de Direção, e é coordenadora da área trabalhista de um escritório em São Paulo, facilita círculos femininos e é Doula. Natural de Santos (SP), já morou em Piracicaba (SP), Palmas (TO) e em Londres (UK). Reside em São Paulo, capital desde 2006. Ama a dança e o teatro, entende a arte como interpretação dos sentidos e emoções reais do indivíduo e da sociedade, essência de cada um.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *